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sábado, 24 de setembro de 2011

Afinal, o que eu preciso saber fazer?

Honestamente, já não sei mais quantas vezes eu vi alguém de Comunicação errando uma conta matemática elementar e usar como artifício: “ai, mas eu sou de Comunicação, não sei fazer conta, e nem preciso saber”. Sim, amigo, você precisa sim senhor saber fazer contas. Afinal, dizem que você terminou o Ensino Médio e passou no vestibular não é verdade?

Vejamos em outros cursos. Será que os estudantes de Engenharia escrevem tudo errado e dizem “ai, mas eu sou de Engenharia, não sei escrever direito, e nem preciso saber”? Vejamos.

Em uma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), 87,5% dos alunos de Engenharia passaram num teste de português que consistia em um ditado de 30 palavras, sendo que o candidato poderia errar a grafia de até seis. Dentre os alunos de Comunicação – aqueles que, pela lógica, precisam saber escrever certinho, já que não precisam saber fazer contas – o resultado é medonho: 65,3% deles foram reprovados.

É vergonhoso ver que a maioria da galera que se forma em Comunicação não sabe escrever palavras como autorizar, desageitado ou anexo. É ainda menos vergonhoso do que ver que quase todo mundo que se forma em Direito perdeu a prova da OAB. Isso porque se o aluno não sabe as leis, as teorias do Direito etc., é porque não aprendeu na faculdade. Agora, se um sujeito não sabe ortografia, é porque não aprendeu na escola e, sinceramente, não deveria sequer entrar na universidade. Mas já que entrou, pelo menos esse erro – que vem lá de trás – deveria ter sido corrigido.

A faculdade de Jornalismo, especificamente, não deveria ter que perder tempo ensinando o aluno a escrever – o estudante tem que aprender isso no Ensino Médio. Na universidade ele deveria aprender técnicas de redação jornalística, redação empresarial, técnicas de reportagem – além de toda bagagem teórica, é claro; aqui estou falando só da parte prática. Mas em vez de avançar nesses disciplinas, não raro um professor tem que ficar voltando a ensinar coerência e coesão textual, conceitos trabalhados no Ensino Médio. E assim vamos formando jornalistas menos capacitados do que poderíamos. E em jornalismo, meus amigos, é igual na Medicina – um pequeno erro causado por desconhecimento da técnica pode destruir a vida de uma pessoa.


P.s.: Tem uma palavra escrita de forma errada nesse post. Quem achar ganha um doce.