Vejamos em outros cursos. Será que os estudantes de Engenharia escrevem tudo errado e dizem “ai, mas eu sou de Engenharia, não sei escrever direito, e nem preciso saber”? Vejamos.
Em uma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), 87,5% dos alunos de Engenharia passaram num teste de português que consistia em um ditado de 30 palavras, sendo que o candidato poderia errar a grafia de até seis. Dentre os alunos de Comunicação – aqueles que, pela lógica, precisam saber escrever certinho, já que não precisam saber fazer contas – o resultado é medonho: 65,3% deles foram reprovados.
É vergonhoso ver que a maioria da galera que se forma em Comunicação não sabe escrever palavras como autorizar, desageitado ou anexo. É ainda menos vergonhoso do que ver que quase todo mundo que se forma em Direito perdeu a prova da OAB. Isso porque se o aluno não sabe as leis, as teorias do Direito etc., é porque não aprendeu na faculdade. Agora, se um sujeito não sabe ortografia, é porque não aprendeu na escola e, sinceramente, não deveria sequer entrar na universidade. Mas já que entrou, pelo menos esse erro – que vem lá de trás – deveria ter sido corrigido.
A faculdade de Jornalismo, especificamente, não deveria ter que perder tempo ensinando o aluno a escrever – o estudante tem que aprender isso no Ensino Médio. Na universidade ele deveria aprender técnicas de redação jornalística, redação empresarial, técnicas de reportagem – além de toda bagagem teórica, é claro; aqui estou falando só da parte prática. Mas em vez de avançar nesses disciplinas, não raro um professor tem que ficar voltando a ensinar coerência e coesão textual, conceitos trabalhados no Ensino Médio. E assim vamos formando jornalistas menos capacitados do que poderíamos. E em jornalismo, meus amigos, é igual na Medicina – um pequeno erro causado por desconhecimento da técnica pode destruir a vida de uma pessoa.
P.s.: Tem uma palavra escrita de forma errada nesse post. Quem achar ganha um doce.