O post de hoje é basicamente sobre o vídeo do Lobão, em que ele fala sobre a pendenga com o festival Lollapalooza. Gostaria de fazer algumas anotações, não só sobre este episódio, mas sobre a situação da música brasileira frente a estes festivais.
Segundo o Lobão fala no vídeo, ele teria sido convidado para se apresentar no festival, mas recusou o convite porque os organizadores queriam que os artistas brasileiros tocassem das 10h às 15h, enquanto os estrangeiros tocariam após este horário. Após o músico colocar a boca no trombone denunciando a atitude do festival, os organizadores teriam mudado o critério de organização do line up, desmentindo o Lobão.
A mim, não interessa quem está certo e qual é a versão verdadeira desta história toda. Interessa o seguinte: não dá mais para artistas brasileiros ficarem sendo colocados em um segundo plano para agradar produtores de festivais internacionais. Já fiz um post falando sobre isso na ocasião do Rock in Rio e repito aqui o mesmo discurso.
Mesmo que o artista que venha a fechar a noite seja estrangeiro, por que colocar os brasileiros somente como bandas de abertura? Por que não colocar artistas brasileiros que têm anos de estrada e inúmeros hits para tocar mais tarde, em um horário que o festival esteja mais cheio?
Em 2010 eu fui ao Planeta Terra. Fui porque queria ver o show do Mika. Mas também queria ver o que as outras bandas iriam apresentar. Cheguei bem depois dos portões estarem abertos e fiquei bastante indignado quando constatei que algumas bandas brasileiras já tinham acabado de tocar quando eu consegui entrar. Resultado: perdi algumas apresentações brazucas, mas vi todas as internacionais.
Parece que é feito de sacanagem. E é.
Poderia ficar aqui citando inúmeros exemplos, mas é melhor deixar o vídeo falar por conta própria:
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Sobre festivais e indústria de cigarro
Há algum tempo venho pensando na proibição de indústrias de cigarros patrocinarem eventos culturais – principalmente festivais de música. Mas duas notícias que eu li nos últimos dias me motivaram a escrever este post.
A primeira fala sobre os rendimentos bilionários da indústria de cigarro no Brasil, que apresenta crescimento, apesar da redução no número de fumantes e das leis antifumo. A outra, diz respeito a uma possível alteração na legislação em vigor, permitindo que fabricantes de cigarro voltem a patrocinar eventos.
Como bem destaca a segunda matéria, os fabricantes de cigarros já foram responsáveis por grandes eventos no Brasil, como o Free Jazz Festival, o Hollywood Rock, o Carlton Dance, só para citar os festivais de música. Isso sem contar torneios esportivos, peças de teatro, dentre outros tipos de eventos.
Ok, também sou contrário ao patrocínio de eventos esportivos por parte de fabricantes de cigarro, afinal, esporte é saúde e o cigarro está no extremo oposto. Mas por que não permitir que tais empresas patrocinarem ou organizarem festivais de música?
Vimos, nos festivais mais recentes, bandas se estapeando em busca de espaço para tocar, produtores cometendo verdadeiras injustiças na montagem do set list, ingressosalgumas vezes mais caros do que muitos fãs poderiam pagar. Por outro lado, vemos um setor industrial com um faturamento bastante elevado, mas impedido de investir em festivais de música em nome de um suposto combate ao tabagismo.
Deixando de lado os aspectos legais da MP que altera a legislação do tabaco, acho bem fraco este argumento de que um evento patrocinado por companhias de cigarro poderia servir como um incentivo ao hábito de fumar. Tudo bem que a propaganda seduz e pode incentivar o consumo. Que se proíba a propaganda então e deixem as empresas fazerem festivais!
Não consigo acreditar que uma pessoa vá começar a fumar só porque foi a um Hollywood Rock, por exemplo. Principalmente porque, caso a nova legislação entre em vigor, a marca do produto não ficará exposta, e sim o nome da empresa.
Já pensou um Philip Music Morris, com os maiores nomes da música nacional e internacional a um preço que você pode pagar? Sim, porque com o retorno institucional do evento, a empresa pode reduzir sua margem de lucro com o festival e ainda assim sair ganhando.
Mais do que a aprovação da MP – que também restringe ainda mais o fumo em locais públicos –, acho particularmente interessante que este debate tenha voltado à tona. Principalmente em um ano que teve Rock in Rio, SWU, Planeta Terra...
P.s.: Sou contrário à proibição da propaganda nos pontos de venda, outro ponto incluído na MP. Mas isso fica para outra discussão...
A primeira fala sobre os rendimentos bilionários da indústria de cigarro no Brasil, que apresenta crescimento, apesar da redução no número de fumantes e das leis antifumo. A outra, diz respeito a uma possível alteração na legislação em vigor, permitindo que fabricantes de cigarro voltem a patrocinar eventos.
Como bem destaca a segunda matéria, os fabricantes de cigarros já foram responsáveis por grandes eventos no Brasil, como o Free Jazz Festival, o Hollywood Rock, o Carlton Dance, só para citar os festivais de música. Isso sem contar torneios esportivos, peças de teatro, dentre outros tipos de eventos.
Ok, também sou contrário ao patrocínio de eventos esportivos por parte de fabricantes de cigarro, afinal, esporte é saúde e o cigarro está no extremo oposto. Mas por que não permitir que tais empresas patrocinarem ou organizarem festivais de música?
Vimos, nos festivais mais recentes, bandas se estapeando em busca de espaço para tocar, produtores cometendo verdadeiras injustiças na montagem do set list, ingressos
Deixando de lado os aspectos legais da MP que altera a legislação do tabaco, acho bem fraco este argumento de que um evento patrocinado por companhias de cigarro poderia servir como um incentivo ao hábito de fumar. Tudo bem que a propaganda seduz e pode incentivar o consumo. Que se proíba a propaganda então e deixem as empresas fazerem festivais!
Não consigo acreditar que uma pessoa vá começar a fumar só porque foi a um Hollywood Rock, por exemplo. Principalmente porque, caso a nova legislação entre em vigor, a marca do produto não ficará exposta, e sim o nome da empresa.
Já pensou um Philip Music Morris, com os maiores nomes da música nacional e internacional a um preço que você pode pagar? Sim, porque com o retorno institucional do evento, a empresa pode reduzir sua margem de lucro com o festival e ainda assim sair ganhando.
Mais do que a aprovação da MP – que também restringe ainda mais o fumo em locais públicos –, acho particularmente interessante que este debate tenha voltado à tona. Principalmente em um ano que teve Rock in Rio, SWU, Planeta Terra...
P.s.: Sou contrário à proibição da propaganda nos pontos de venda, outro ponto incluído na MP. Mas isso fica para outra discussão...
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Dilmetaleira
Montagens de vídeo tem aos montes no YouTube. Mas essa é uma das melhores que eu vi recentemente. Nela, a presidenta Dilma Rousseff aparece em sua versão... digamos... metaleira, ao som de System of a Down. Vale o confere!
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Eles lá e a ralé aqui
Entrevistar o João Gordo ao vivo nunca deve muito fácil. Aquele frio na barriga, aquela expectativa de uma merda que ele possa falar, o medo daquela pergunta não ser bem interpretada... Nunca entrevistei o Gordo, mas imagino que seja assim.
Imagino também que tenha sido assim que a Érika Mader foi até o sofá onde ele estava sentado para pegar a opinião dele sobre o Rock in Rio após ele se apresentar com a banda Korzus no projeto Punk Metal All Stars. No palco Sunset, obviamente, porque o palco Mundo é só para as estrelas. Vejamos o que ele respondeu:
O vídeo fala por si próprio, não há muita necessidade de complementar o que ele disse. Só posso acrescentar que concordo em boa parte com o que o João Gordo declarou. Produção Mambembe? Claro que não, acho que o Gordo estava meio puto e exagerou nesse ponto. Se ele tivesse dito “seleção das bandas Mambembe”, aí sim. Por que uma banda chamada Glória, que tem uma repercussão nacional e internacional infinitamente menor que Sepultura tocou no palco principal e a banda do Igor Cavalera foi jogada pro palco secundário? Sepultura já tocou no palco principal em 2001, lembram? Por que não repetir a dose?
Mais adiante, quando o assunto é a reação positiva do público, o Gordo manda na lata: “o publico não é burro. Eles sabem quem são os caras verdadeiros e vão lá para agitar”. Sim. Tanto que os meninos do Glória foram vaiados e o pessoal do Sepultura extremamente aplaudido.
Só gostaria de entender qual a lógica desse raciocínio. Porque eu juro que não gostaria de concordar com o João Gordo quando ele diz que “promotor de festival grande é tudo um bando de imbecil”.
domingo, 25 de setembro de 2011
Por um mundo mais 'pop'
Uma vez perguntaram pro Andy Warhol o que era ser pop. Daí ele respondeu: “ser pop é gostar das coisas”. Simples assim.
No documentário “Outros doces bárbaros”, alguém pergunta para o Gil: “Como é que você consegue gostar da Sandy?”. Ele cita a frase do Warhol e diz algo do tipo: “eu sou pop, eu aprendi a gostar das coisas”.
Cito esses dois episódios porque eu vejo um certo ódio entre pessoas que seguem tendências diferentes – e não necessariamente opostas. Para ser mais preciso, vejo um ódio muito grande entre pessoas que curtem estilos musicais diferentes. Para ser ainda mais preciso, vejo um ódio absurdo entre quem gosta de rock e quem gosta de qualquer outro estilo de música. E eu acho isso tudo uma grande babaquice.
No dia de metal do Rock in Rio, li uma matéria dizendo que tava rolando uma brincadeira com um casamento feito no estilo rock n roll. No final da cerimônia, o padre de mentirinha fala pros noivos se amarem “até que o pagode e o sertanejo os separe”. Grande babaquice.
Acho esse tipo de brincadeirinha extremamente imbecil, pois coloca pagode e sertanejo como algo tão ruim, que poderia ser comparável à própria morte. Nada mais condenável.
Fico bastante triste por ver essa postura por parte de alguns roqueiros. Se o rock nasceu para ser transgressor, para combater os preconceitos, para combater as injustiças, por que diabos fazer esse tipo de piadinha contra os artistas e os fãs do pagode e do sertanejo, que nada mais fazem além de curtir sua música preferida? Roqueiros que pensam – e agem – assim se igualam aos camaradas que criticavam ferozmente o rock. Se igualam a todos os instrumentos de censura e opressão que se opunham ao rock.
O pior é que a patrulha dos roqueiros xiitas não para por aí. Qualquer banda – mesmo de rock – que não se enquadre naquele estereótipo de música pesada, cheia de distorção, corre o risco de ser taxada de não-é-rock. Foi o que eu vi no show do Frejat na Exposição Agropecuária de Cordeiro (RJ) em 2008. O locutor da festa anunciou algo do tipo: “Agora com vocês um dos maiores nomes do rock nacional: Frejat”. A namorada de um amigo meu falou: “Ah, tá, Frejat nem é rock, quanto mais um dos maiores nomes”. Os dois formam um belo casal metaleiro.
Frejat pode até não ser um dos maiores nomes, mas reflitamos: por que não seria rock? Ele não teve uma banda que desafiou a sociedade do seu tempo e botou pra quebrar? Só porque hoje em dia as músicas dele são mais elaboradas, têm menos distorção e menos gritaria ele deixa de se filiar ao Partido do Rock Nacional? Na minha humilde opinião, nada disso faz sentido.
Sim, eu sou roqueiro e achei a frase do “padre” do Rock in Rio o exemplo perfeito para este post, porque pagode e sertanejo são dois dos poucos estilos de música que não me agradam em absolutamente nada. O resto todo me agrada. De Skid Row a Lady Gaga. De Megadeth a Maria Rita. Gosto de tudo porque aprendi a gostar das coisas. Sou pop. E quem dera mais gente fosse.
P.s.: Não, eu não gosto da Sandy. Tudo tem limite, né, gente...
No documentário “Outros doces bárbaros”, alguém pergunta para o Gil: “Como é que você consegue gostar da Sandy?”. Ele cita a frase do Warhol e diz algo do tipo: “eu sou pop, eu aprendi a gostar das coisas”.
Cito esses dois episódios porque eu vejo um certo ódio entre pessoas que seguem tendências diferentes – e não necessariamente opostas. Para ser mais preciso, vejo um ódio muito grande entre pessoas que curtem estilos musicais diferentes. Para ser ainda mais preciso, vejo um ódio absurdo entre quem gosta de rock e quem gosta de qualquer outro estilo de música. E eu acho isso tudo uma grande babaquice.
No dia de metal do Rock in Rio, li uma matéria dizendo que tava rolando uma brincadeira com um casamento feito no estilo rock n roll. No final da cerimônia, o padre de mentirinha fala pros noivos se amarem “até que o pagode e o sertanejo os separe”. Grande babaquice.
Acho esse tipo de brincadeirinha extremamente imbecil, pois coloca pagode e sertanejo como algo tão ruim, que poderia ser comparável à própria morte. Nada mais condenável.
Fico bastante triste por ver essa postura por parte de alguns roqueiros. Se o rock nasceu para ser transgressor, para combater os preconceitos, para combater as injustiças, por que diabos fazer esse tipo de piadinha contra os artistas e os fãs do pagode e do sertanejo, que nada mais fazem além de curtir sua música preferida? Roqueiros que pensam – e agem – assim se igualam aos camaradas que criticavam ferozmente o rock. Se igualam a todos os instrumentos de censura e opressão que se opunham ao rock.
O pior é que a patrulha dos roqueiros xiitas não para por aí. Qualquer banda – mesmo de rock – que não se enquadre naquele estereótipo de música pesada, cheia de distorção, corre o risco de ser taxada de não-é-rock. Foi o que eu vi no show do Frejat na Exposição Agropecuária de Cordeiro (RJ) em 2008. O locutor da festa anunciou algo do tipo: “Agora com vocês um dos maiores nomes do rock nacional: Frejat”. A namorada de um amigo meu falou: “Ah, tá, Frejat nem é rock, quanto mais um dos maiores nomes”. Os dois formam um belo casal metaleiro.
Frejat pode até não ser um dos maiores nomes, mas reflitamos: por que não seria rock? Ele não teve uma banda que desafiou a sociedade do seu tempo e botou pra quebrar? Só porque hoje em dia as músicas dele são mais elaboradas, têm menos distorção e menos gritaria ele deixa de se filiar ao Partido do Rock Nacional? Na minha humilde opinião, nada disso faz sentido.
Sim, eu sou roqueiro e achei a frase do “padre” do Rock in Rio o exemplo perfeito para este post, porque pagode e sertanejo são dois dos poucos estilos de música que não me agradam em absolutamente nada. O resto todo me agrada. De Skid Row a Lady Gaga. De Megadeth a Maria Rita. Gosto de tudo porque aprendi a gostar das coisas. Sou pop. E quem dera mais gente fosse.
P.s.: Não, eu não gosto da Sandy. Tudo tem limite, né, gente...
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