Fim de ano é tempo de retrospectivas. Então, para entrar no clima, resolvi publicar a listinha dos livros que eu li desde o início do ano. Tudo bem que 2011 não foi um ano que eu pude me dedicar à leitura como eu gostaria – a conclusão do Mestrado me deixou uns bons meses me dedicando só à entrega da minha dissertação. Então, que 2012 seja um ano mais tranquilo para que a próxima lista seja mais extensa!
Segue a listagem em ordem cronológica:
1 – A fúria do corpo (João Gilberto Noll)
2 – As aventuras de Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll)
3 – A sociedade individualizada (Sigmunt Bauman)
4 – Através do espelho e o que Alice encontrou por lá (Lewis Carroll)
5 – Drácula (Bram Stoker)
6 – A humilhação (Philip Roth)
7 – O enterro do anão (Chico Anísio)
8 – Rei Édipo (Sófocles)
9 – A linguagem proibida (Dino Preti)
10 – Este lado do paraíso (F. Scott Fitzgerald)
11 – A cortina de ouro (Cristovam Buarque)
12 – Leite derramado (Chico Buarque)
13 – Louca por você (Fernanda Belém)
14 – O medo à liberdade (Erich Fromm – em andamento)
Então já sabem, caros leitores: se for me dar um livro de presente de Natal, que não seja nenhum desses, porque esses eu já li!
Brincadeiras à parte, eu gostei de todas as minhas leituras. Fica esse post como sugestão de bons livros para 2012!
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Um livro de ouro
Todo mundo sabe que eu admiro – e muito – o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Em 2006 participei de sua campanha à Presidência, mas só mais tarde tomei conhecimento de sua obra literária. E me fascinei logo de cara. Tanto que um dos capítulos do meu livro é exclusivamente sobre “Os Deuses Subterrâneos”. Agora venho falar sobre outro livro do Cristovam – este, de não-ficção – que também merece destaque: “A cortina de ouro”.
Cristovam nos presenteia com um livro simples e direto sobre os “sustos” do final do século XX e os desafios para o homem dos anos 2000. Publicado em 1995, a obra é basicamente a transcrição de uma conferência realizada pelo autor com o título de “Os sustos do final do século”.
Em suma, o raciocínio que se desenvolve é o seguinte: a partir das projeções feitas por artistas e intelectuais do século XIX de como seria o século XXI, Cristovam faz análises sobre o que de fato foi realizado e em que aspectos a sociedade ficou aquém da utopia criada por tais pensadores. A conclusão a que se chega é que, do ponto de vista técnico, a sociedade avançou enormemente – muito mais do que imaginado. Em contrapartida, a realidade social que se apresenta é ais devastadora do que as mais pessimistas projeções. Ou, nas palavras do autor, “o avanço técnico não serviu para construir uma sociedade utópica”.
Um belo exemplo usado pelo autor é o avanço da medicina. Há alguns séculos, não havia cura para grande parte das doenças. Tanto os ricos quanto os pobres pereciam dos mesmos males. Hoje, já há vacinas e tratamentos dos mais sofisticados. Mas seu uso, em muitos dos casos, é restrito apenas aos ricos – enquanto pobres ainda morrem sem tratamento.
Ainda no que diz respeito aos avanços técnicos no campo da medicina, Cristovam cita o transplante como outro bom exemplo para esta desigualdade entre avanço técnico e desenvolvimento social:
Ninguém acreditava, há cem anos, que antes do final do século XX o transplante seria uma prática comum na medicina. Muito menos que a desigualdade estaria tão acirrada, que crianças seriam traficadas, mortas, para que seus órgãos fossem transferidos a outras crianças.
O livro é de uma abordagem impressionante para um tema ao mesmo tempo tão delicado e relevante para todos aqueles que querem lançar um olhar mais crítico sobre o século XXI e seus desafios. A leitura é imprescindível. E não adianta alegar que está sem tempo para ler: são 120 páginas, divididas em capítulos curtos, dá para ler rapidinho.
Por fim, gostaria de incluir neste post mais uma passagem do livro:
Para assombro de muitos observadores do mundo das ideias e das ideias do mundo de hoje, Aristóteles ou Platão parecem explicar melhor com seus pensamentos simples a simplicidade da sociedade grega de sua época do que os sofisticados acadêmicos e cientistas sociais de hoje são capazes de explicar as sofisticadas economias e sociedades contemporâneas deste final do século. E todos os homens se assustam com esta constatação.
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