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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Retrospectiva literária

Fim de ano é tempo de retrospectivas. Então, para entrar no clima, resolvi publicar a listinha dos livros que eu li desde o início do ano. Tudo bem que 2011 não foi um ano que eu pude me dedicar à leitura como eu gostaria – a conclusão do Mestrado me deixou uns bons meses me dedicando só à entrega da minha dissertação. Então, que 2012 seja um ano mais tranquilo para que a próxima lista seja mais extensa!

Segue a listagem em ordem cronológica:

1 – A fúria do corpo (João Gilberto Noll)
2 – As aventuras de Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll)
3 – A sociedade individualizada (Sigmunt Bauman)
4 – Através do espelho e o que Alice encontrou por lá (Lewis Carroll)
5 – Drácula (Bram Stoker)
6 – A humilhação (Philip Roth)
7 – O enterro do anão  (Chico Anísio)
8 – Rei Édipo (Sófocles)
9 – A linguagem proibida (Dino Preti)
10 – Este lado do paraíso (F. Scott Fitzgerald)
11 – A cortina de ouro (Cristovam Buarque)
12 – Leite derramado (Chico Buarque)
13 – Louca por você (Fernanda Belém)
14 – O medo à liberdade (Erich Fromm – em andamento)

Então já sabem, caros leitores: se for me dar um livro de presente de Natal, que não seja nenhum desses, porque esses eu já li!

Brincadeiras à parte, eu gostei de todas as minhas leituras. Fica esse post como sugestão de bons livros para 2012!

sábado, 5 de novembro de 2011

Frases fortes, narrativa entediante

A minha mais recente leitura foi um livro que estava na minha lista (sim, eu tenho uma lista de "próximas leituras") há alguns anos (pasme), mas só agora tive saco tempo de pegar para ler. E até que gostei. Em partes. Trata-se do Este lado do paraíso, do F. Scott Fitzgerald (lê-se “Fitzgérald”).

O livro, publicado em 1920, quando o autor tinha 24 anos, conta a história de Amory Blaine, “o egocêntrico romântico”, desde quando ele era uma criança mimada até a fase adulta, cheia de responsabilidades e cobranças. O personagem, como o próprio Fitzgerald admite, deixa transparecer muito sobre o autor. “Não gostaria de falar de mim, pois admito que já o fiz bastante neste livro”, diz no prefácio “Uma justificativa do autor”.


No todo, pode-se dizer que o romance é legal. Entre drinks e festas de universidade, os personagens nos presenteiam com frases fortes e pensamentos bastante marcantes. Aliás, este é um dos pontos altos do livro, que fazem compensar a narrativa lenta adotada pelo autor. Mas entre um tédio e outro, somos surpreendidos com algo do tipo:

“Se alguém não puder ser um grande artista ou um grande soldado, o melhor que lhe resta é ser um grande criminoso.”

Ou ainda:

“Não é que eu me incomode com esse brilhante sistema de castas”, confessou Amory. “Gsto de saber que os primeiros lugares cabem aos sujeitos alinhados, mas puxa vida, Kerry, tenho de ser um deles!”

Amory é um personagem que alterna entre a frivolidade e um profundo conhecimento artístico/literário. Em diversas passagens ele discute o valor de uma obra de arte com algum de seus amigos. Em outras, ele revela um desejo de pertencer às classes mais elevadas da hierarquia social de Princeton. No todo, acaba sendo um personagem bastante interessante.

As últimas passagens do livro fazem valer toda a leitura. São nas últimas páginas em que aparece a definição de Amory bastante peculiar para “classe média”:

“Estes homens de mentalidade mofada, que apenas alisaram os bancos escolares, que pensam que pensam cada questão que surge... bem, gente assim encontra-se em cada esquina. Num momento eles se manifestam sobre ‘a brutalidade e desumanidade desses prussianos’ e, logo em seguida, declaram que ‘deveríamos exterminar todo o povo alemão’. Estão sempre acreditando que ‘a situação, agra, não está nada bem’, mas eles ‘não têm qualquer fé nesses idealistas’. Num minuto afirmam que Wilson ‘não passa de um sonhador, não é nada prático’, e daí a um ano aderem a ele por ter tornado seus sonhos realidades. Não possuem ideias claras e lógicas sobre um único assunto, exceto uma posição retrógrada e insensível a qualquer mudança. Julgam que as pessoas sem instrução não deveriam ser bem pagas, mas não percebem que se não pagarem bons salários a essa gente seus filhos também não terão uma boa educação, o que nos leva a um círculo vicioso Essa é a famosa classe média.”

No todo, é uma leitura que oscila entre diálogos muito interessantes e trechos bastante arrastadas. Vale a leitura, pois é um retrato não só de um personagem, mas de toda uma geração.