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domingo, 11 de dezembro de 2011

Acadêmicos do Super Mário

Eu costumo criticar seriamente esse pessoal que não leva a vida acadêmica a sério e faz trabalhos na base da sacanagem – vide esse post. Por outro lado, também faço questão de elogiar publicamente o que vem sendo feito na universidade e que vale a pena parar por uns instantes para observar.

É o caso deste vídeo, produzido por alunos da faculdade de cinema da Universidade Federal de Pernambuco. Nele é feita uma análise da trilha sonora do Super Mário World. Além de ser muito bem feito, emociona os admiradores deste game. Parabéns aos envolvidos!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Uma fofura só

Todo mundo sabe que eu não sou do tipo que adora criancinhas. Mas alguns filmes com crianças como protagonistas me tocaram o coração. Primeiro foi A culpa é do Fidel de Julie Gavras (2006), que tem a pequena Nina Kervel-Bey no papel principal. Mais recentemente tive contato com outro filme pelo qual fiquei logo apaixonado: O pequeno Nicolau (Laurent Tirard, 2009).

O filme mostra o pequeno Nicolau (Maxime Godart) tentando lutar contra a chegada de um irmãozinho mais novo, devido ao medo de ser preterido pela família. Com toda sutileza que o tema exige, o filme explora o universo infantil com grande propriedade e nos faz rir de uma forma honesta e despretensiosa: longe de qualquer pastelão e de piadas clichê.

O pequeno Nicolau explora um recurso cômico já bastante utilizado tanto na literatura quanto no cinema: o quiproquó. Mesmo assim, ele não perde em nada por isso.

Segundo a definição do dicionário, o quiproquó é um “erro que consiste em tomar uma coisa por outra”. E é exatamente esta a deixa para praticamente todas as cenas cômicas do filme: o desentendimento nos diálogos, gerando confusão entre os personagens.

No todo, o filme é muito bom, com fortes atuações, principalmente por parte das crianças. É uma boa pedida para reunir toda a família em torno de um pote de pipoca num domingo à tarde.

domingo, 13 de novembro de 2011

O lado ruim da expectativa

Desde que foi lançado, eu li diversas resenhas críticas a Cisne Negro (Darren Aronofsky, 2010), mas só agora consegui parar pra assistir ao filme. De fato, ele é muito bom, mas ficou aquém do palavrório.

O filme trata da perturbação psicológica da protagonista, a bailarina Nina (Natalie Prtoman), que está prestes a se tornar a solista principal do próximo espetáculo de sua companhia – O Lago dos Cisnes. Paralelamente a isso, Nina tem relações conturbadas com sua mãe, com outras bailarinas de sua companhia e com o próprio diretor, Thomas (Vincent Cassel).

Os distúrbios de Nina são tão intensos que chegam a confundir o espectador. Aquilo que se vê de fato aconteceu dentro da narrativa ou foi apenas mais um delírio da personagem? Demoramos alguns segundos para identificar.

Cisne Negro é certamente um filme que tem mérito. Mas eu teria gostado bem mais se tivesse ouvido falar bem menos dele entes de ter assistido.

Os comentários que ouvi/li foram os mais diversos, mas quase todos giravam em torno de um mesmo eixo. “O filme é extremamente perturbador”, era a opinião majoritária. De tanto isso se repetir, imaginei que iria me deparar com um novo Réquiem por um sonho - filme do mesmo diretor, lançado de 2000. Este sim é extremamente perturbador e agressivo – tanto que, apesar de ter entendido a proposta, não me agradou muito o resultado final. E por achar que Cisne Negro adotaria uma postura tão contundente quanto Réquiem por um sonho, adiei ao máximo meu encontro com Natalie Portman e seu balé.

Ao final do filme, eu já não sabia se ele de fato não era perturbador ou se eu criei uma expectativa demasiadamente grande com base no que eu ouvi/li sobre o filme. De qualquer forma, cada dia concordo mais com a frase do Daniel Galera: “São as expectativas que fodem tudo”. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Capitães sim, com muito orgulho

ATENÇÃO: esse post é cheio de spoilers. Se você não leu o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, e/ou não viu o filme, não leia se não quiser saber partes da história. Estou aqui para contar a minha opinião sobre a adaptação cinematográfica e posso acabar estragando a brincadeira de um de vocês sem querer.

Advertência dada, vamos ao que interessa. Já falei duas vezes sobre esse livro do Jorjamado. Primeiro sobre o cunho político do romance. Segundo sobre o trailer. Agora vamos ao filme propriamente dito.

O filme é sensacional. A diretora Cecília Amado consegue resolver muito bem os vários obstáculos de uma adaptação cinematográfica e apresenta um trabalho final brilhante. O fato de só haver atores desconhecidos no elenco não deixa nada a desejar. A fotografia também é belíssima, tornando as ruas de Salvador um personagem a mais na história. Só observei um problema na adaptação: a diretora pega leve demais.

O filme é de uma leveza sem igual. (Algumas pessoas que saíram comigo do cinema acharam o filme meio lento; eu discordei.) A violência é atenuada, os conflitos são atenuados, a tristeza é atenuada, o ódio é atenuado, tudo é atenuado. Até demais.

Há quem diga: “nossa, mas no filme tem cenas bastante agressivas”. No livro essa agressividade é bem maior.

Pedro Bala (Jean Luis Amorim) – o líder dos Capitães – termina o filme como o herói, o grande líder, o bonzão. Mas não é bem assim. Em um determinado trecho do livro, ele estupra – isso mesmo: estupra – uma menina na praia. Mas ele não é de todo mau: sabendo que a garota era virgem, ele promete que fará apenas sexo anal, “preservando” a virgindade dela. Terminado o ato sexual forçado, Bala deixa a menina ir embora. A despedida dela?

"- Peste, fome e guerra te acompanha, desgraçado. Deus te castiga, desgraçado. Filho de uma mãe, desgraçado, desgraçado."

Mas ele se arrepende pela “pobre negrinha, uma criança também”. Só que nada disso aparece no filme. Só não sei se a diretora julgou esse episódio irrelevante para a trama ou se apenas se acovardou, com medo de que o filme gerasse polêmica e isso prejudicasse o desempenho comercial da obra.

O desfecho do filme é permeado por dois extremos. Se por um lado ela consegue narrar em alguns minutos o desfecho de cada um dos personagens, o destino de Sem-Pernas (Israel Gouvêa) – um dos Capitães, que tem esse nome por ser coxo – é atenuado. Sem-Pernas, que é um dos meninos que mais tem ódio no coração, foi torturado pela polícia enquanto ainda era bem pequeno. No livro, ele termina sendo perseguido pela polícia pelas ruas de Salvador.

"Muita gente o tinha odiado. E ele odiara a todos. Apanhara na polícia, um homem ria quando o surravam. Para ele é esse homem que corre em sua perseguição na figura dos guardas. Se o levarem, o homem rirá de novo. Não o levarão."

Sem-Pernas fica encurralado e se joga de um precipício. Suicídio. “Se arrebenta na montanha qual um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio”. Triste fim de um menino de rua coxo e faminto. No filme, apenas aparece o Professor (Robério Lima) e Zé Fuina (Felipe Duarte) especulando sobre o futuro do grupo e dizendo que Sem-Pernas possivelmente irá para o circo e será trapezista - em uma referência clara ao suicídio do personagem. Bem mais light, entretanto, que a versão original.

No todo, como eu disse inicialmente, o saldo do filme é bastante positivo. As cenas de capoeira são bem coreografadas e o roteiro não apresenta falhas. Motivo de orgulho para o cinema nacional.

Para quem se interessou, segue o trailer:



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Capitães do Cinema

Há alguns dias falei do livro Capitães da Areia, do Jorjamado. Pois bem. Agora chegou o filme.

Eu sabia que o filme estava sendo produzido desde o meio do ano passado, mas não sabia previsão de lançamento. Sexta-feira, quando voltei do trabalho, vi um cartaz do filme. Fiquei todo animado, pois o livro é excelente e rende um bom roteiro cinematográfico. Daí chego em casa e vejo que o filme foi exibido na sexta à noite, no Festival do Rio. Ou seja: eu achando que o filme ainda iria entrar em cartaz e ele já teve até sua estreia...

Para quem se interessa pela história de Pedro Bala, Dora, Professor e o resto do grupo, segue o o trailer, que, por sinal, é bem atraente. Quando eu assistir, conto pra vocês o que achei da adaptação.